ESSENCIALISMO E CONSTRUTIVISMO SOCIAL
sob uma perspectiva Sexual
Para melhor fundamentar o estudo da sexualidade, inicialmente serão discutidas as tendências de pensamentos teóricos baseados no Essencialismo e no Construtivismo que, segundo Terto Jr. (1999) marcam o nascimento da Sexologia e da pesquisa científica em Sexualidade Humana, ao final do século XIX.
A tradição Essencialista defende a idéia de que a sexualidade é determinada por fatores biológicos e fisiológicos, confirmando então sua estabilidade, não sendo suscetível a nenhum tipo de variação. Sendo assim, os indivíduos teriam uma pré-disposição genética para serem heterossexuais, por exemplo, e quaisquer comportamentos que fugissem aos “padrões de normalidade” da época eram vistos como uma fraqueza hereditária.
Com o Essencialismo, surge o estudo científico da Sexualidade Humana baseada na teoria dos instintos e impulsos internos (Freud, 1975), focalizando primordialmente a conduta de cada indivíduo e, posteriormente os aspectos sociais e culturais. Para Epstein (apud Terto Jr., 1999), a homossexualidade também seria inata por ser determinada por algumas falhas genéticas, hormonais, impulsos e outros fatores intrapsíquicos.
Os possíveis desvios que fugissem da normalidade sexual, como os homossexuais, eram vistos como patológicos ou como sintomas conseqüentes de influências familiares ou de uma socialização pervertida. O homossexualismo passa então no século XIX, a ser classificado dentro de uma categoria, um rótulo e não mais como uma prática moralmente condenada (Foucault, 1980).
Portanto, as idéias Essencialistas prevalecentes neste século XIX, defendiam que tudo que fugisse aquela padronização de normalidade, irradiada de preconceitos, poderiam ser vistos como patológicos. Ou também ainda, sob a influência do Vitorianismo, como uma característica social daquele tempo que classificava estes comportamentos como desviantes.
O Construtivismo surge entre o final dos anos 60 e início dos 70, tentando explicar a sexualidade como um constructo social, produto de forças históricas e sociais. Assim, a identidade sexual de cada indivíduo seria uma escolha ou uma opção, o que definiria as diferenças seriam as condições sociais e culturais. Portanto, pode-se perceber, assim como pontuam Tiefer, 1992; Gagnom e Parker, 1995 (apud, Terto Jr. 1999), que as teorias construtivistas da sexualidade estão mais ligadas ao âmbito das ciências sociais como, a sociologia e antropologia, influenciadas por correntes filosóficas e psicológicas.
Tanto o Essencialismo como o Construtivismo, considera que, as condições históricas culturais e sociais são fatores importantes na construção da sexualidade. O Essencialismo, no entanto, é mais centrado nos aspectos biológicos definidos pela hereditariedade, enquanto que o construtivismo dá maior ênfase aos aspectos sociais.
Alguns psicólogos sociais, como Alferes (1997), discorrem que o fato que impede alguns essencialistas de perceberem o modo como as formas de conhecimento social interagem com a realidade biológica, é a relação de exterioridade, entre as relações do social e o biológico.
Maria Laura Ramalho Vasquez
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