PSICOTERAPIA, pra quê?
Por
Maria Laura Ramalho Vasquez
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Tentar resgatar o ser humano, sem levar em conta que ele é, essencialmente, corpo – mente - meio ambiente, é desconhecer a verdadeira essência da pessoa e torná-la inatingível à psicologia e a qualquer forma de psicoterapia.
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Ponciano, J. (2006)
A contemporaneidade nos confronta a cada dia com uma sociedade mais competitiva e consumista, que reduz o homem a valores materiais, posições hierárquicas ocupadas, níveis de relacionamentos interpessoais e influências sociais. Não obstante, outras pressões típicas dos grandes centros urbanos nos oferecem conviver com diferentes situações de violência, solidão, crise de idade, luto, depressão, dificuldades de relacionamentos interpessoais e afetivos, desemprego, sentimento de inutilidade, rompimento, stress, ansiedades etc. Estas são algumas das inúmeras adversidades que, mesmo sem ter nosso consentimento, nos são ofertadas e interferem em nosso ser causando-nos distúrbios físicos, psicossomáticos ou psíquicos, classificados de patológicos e existenciais.
Portanto, a psicoterapia proporciona a pessoa, um ser de intra e inter relação, condições emocionais para o enfrentamento destas situações e que de forma processual se ajuste criativamente ao seu ambiente e se integre no “campo”.
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Ajustamento criativo é o processo pelo qual o corpo-pessoa, usando sua espontaneidade instintiva, encontra em si, no meio ambiente ou em ambos soluções disponíveis, às vezes aparentemente não claras, de se auto-regular.
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Ribeiro (2006)
Portanto, abre espaços para uma maior disponibilidade interna enquanto organismo numa relação dentro de um todo, amplia o leque diferencial sobre percepções, sentimentos e sensações, que até então, não podiam ser reconhecidas.
Este processo de “conscientização” do organismo como sendo parte de um conjunto bio-psico-social, ecológico e espiritual, se refere à awareness:
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Embora a awareness possa ser tão democrática quanto a luz do sol, iluminando tudo o que toca, gostaríamos de chamar atenção para quatro aspectos principais da experiência humana em que a awareness pode ser focalizada: awareness das sensações e ações, awareness dos sentimentos, awareness dos desejos e awareness dos valores e das avaliações.
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Polster (2001)
O que me levou a discorrer sobre este tema é ainda hoje perceber existir questionamentos e dúvidas, quanto à funcionalidade da psicoterapia. Espero que, de alguma forma possa estar contribuindo para esclarecer alguma questão ou ajude a desmistificar idéias ortodoxas que hoje ainda são pertinentes a muitas pessoas. Digo que são, as “resistências que resistem” que segundo o Gestaltês 2007 discorre sobre o termo:
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Perls (1947) afirma que as resistências podem ser sensomotoras ou somáticas, intelectuais ou emocionais. As primeiras são expressas no corpo físico, como tensões , escotomas, frigidez etc. As segundas envolvem justificativas, racionalizações, cobranças, censuras. Já as resistências emocionais são mecanismos que restringem ou impedem expressões emocionais consideradas pelo indivíduo como desagradáveis ou perigosas.
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É muito mais comum do que podemos imaginar, as resistências por parte de alguns profissionais de encaminhar clientes que justificam um acompanhamento psicoterapêutico. Gostaria de saber por onde passa esta dificuldade? Qual o problema de se fazer um trabalho paralelo, como é nos países desenvolvidos?
Pego carona para o tratamento da maioria dos casos em dependência química, é crucial um trabalho em equipe multidisciplinar. Conquanto, ainda são pouquíssimos os profissionais da área médica que têm esta visão diferenciada.
Como também é comum, em nossa sociedade organicista existir uma grande parte de pessoas que tentam substituir os psicoterapeutas e preferem investir em desabafos sobre um ombro amigável, ou até mesmo, numa cadeira de dentista tentando falar com a boca semi-aberta e através de gestos (conforme me confidenciou a minha) ou ainda, com um médico de família. Mas, este é o diferencial, ele foi treinado ao longo dos anos para fazer “a máquina funcionar”, de forma unidimensional.
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“Tem-se falado muito nesta divisão homem--máquina e, nesta abordagem, o pensamento é apenas uma complexidade da matéria. É o jogo das sinapses em nosso cérebro. É a matéria que produz o espírito fora da matéria. Só a matéria existe. Poderíamos desenvolver este tema e ele é bem familiar a alguns meios médicos ou sociais, onde todos os esforços são enviados para que a máquina funcione o melhor possível pelo maior tempo possível.”
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Boff,1997
Estaria certo Freud, ao pontuar que os melhores profissionais médicos não se encontram à “cabeceira” de seus pacientes quando eles estão agonizantes por existir neles uma ferida narcísica:
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“eu faço tudo para que você melhore, mas sei que não há outra saída senão o fracasso e a morte”,
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Freud (apud; Boff 1997).
Não tenho como objetivo buscar a consciência das fronteiras referentes às competências individuais ou quanto às limitações, mas apresentar escolhas disponíveis ao nosso alcance. Perpassa pela dificuldade em encontrar alguém que nos dê uma ajuda efetiva, o suporte necessário para estarmos aptos ao enfrentamento das adversidades, as crises e as constante mudanças que o mundo nos impõe. Há pessoas que não só “resistem” à procura do profissional que possa atender suas necessidades, como dizem não acreditar e nem mesmo se permitem experimentar, conhecer, para então fazer sua opção consciente.
Devemos considerar o fato de que para algumas pessoas é muito mais fácil conviver com a problemática do que mexer em questões que estão “assentadas” há tanto tempo. Mexer dá trabalho, vai de encontro aos nossos valores trazidos por toda uma vida, disponibiliza tempo e dinheiro, gera sentimentos e emoções..... E quanto ao medo? Correr riscos pelas próprias escolhas? Escolhas geram ônus e bônus, acarretam mudanças! Mudanças implicam ao medo, por ser o novo! O novo é duvidoso, para isso o ser humano tem que se fortificar, mais qual será o caminho que nos nutri, encoraja e nos dá força?
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“Dezenas de pesquisas neurológicas provam que sessões de psicoterapia modificam conexões neurais e padrões de comportamento.”
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Revista Super Interessante p.62
A patologia é quando se instala a estagnação no “ser”: culpando-se, introjetando, amargurando-se e fechando-se para vida. São as amarras, causando-nos uma deficitária qualidade no “cuidar de si”, baixa ou total inexistência do próprio contato, nas relações familiares, profissionais e intrapessoais. A pessoa não consegue ter discernimento suficiente de ir para ação, sair do lugar, ver que algo vai mal, face à desorganização em que se encontra como um todo.
Devemos pensar também pelo lado paradoxal, quando a pessoa assume um lado narcísico: “Nada e nem ninguém é melhor do que eu, eu tenho o poder sobre tudo e todas as coisas”. Vivem para si, interagem para si, projetam-se somente ao seu eu, sendo visto como uma dificuldade para libertação das suas amarras, seus nós, não reconhece tratar-se de um mundo confeccionado por elas, para elas e só delas.
Conquanto, existem as terapias do cotidiano, que num dado momento podem até ser “terapêuticas”. Não havendo nada mais enfático que o dia da “terapia” para algumas mulheres, o dia de fazer as unhas! Elegem a manicure para derramar toda carga de ansiedades, angústias etc. E, saem do salão sentindo-se “leves”.
Já os homens têm uma preferência em freqüentar “grupos terapêuticos”: trocas de experiências no bar, meio pelo qual encontram de fazer amizades e gabar-se frequentemente sobre o “tamanho de sua virilidade” e saem bem, por terem satisfeito seu ego.
Devemos contar também com os avanços da contemporaneidade, como fatores contribuintes para o isolamento e distanciamento do mundo “real”. Fazemos “contato” diariamente com muitíssimas pessoas, até aquelas que estão a milhares de quilômetros de distância. Quando na verdade o “contato real” é um monitor à nossa frente.
Por mais que me esforce, é muito complicado entender este tipo de contato virtual. Para onde estamos caminhando? Como se não bastasse (que me desculpem os colegas que hoje trabalham desta forma, mas é como eu penso!) agora há a terapia on line.
É extremamente difícil imaginar não poder estar com o cliente sentado frente a frente, olho no olho, perceber suas fronteiras de contato, os movimentos corporais, e como fica o experimento, ferramenta psicoterapêutica que tanto nos auxilia para a prática clínica. E, como chegar à relação do eu-tu ? Pode ser esta a maior relevância nos dias atuais como contribuição para um maior afastamento entre as pessoas?
Tudo ou todas as coisas estão em constante evolução, movimento, transformação e faz parte da nossa vida acompanhar estes processos, caminhos que acrescentem o desenvolvimento do ser humano, como um todo. Mas nesta questão especificamente, segundo os pressupostos filosóficos da Gestalt-Tterapia acarretará segundo minha óptica, na sua descaracterização e perda de identidade.
É um tanto difícil falar da Psicologia ou de qualquer uma de suas abordagens psicoterapêuticas, mesmo que discorra somente pela “superficialidade”, sem maiores aprofundamentos filosóficos, mas que nos forneça algum tipo de subsídios sobre suas origens. A Psicologia foi buscar reflexões na história que justificassem o interesse do homem para com o homem, que enveredou pelos primeiros pensamentos dos “Sofistas” da época: Platão, Sócrates e Aristóteles, que tinham o poder de persuadir as pessoas através da linguagem, sendo eles seus próprios precursores.
Os primeiros pensamentos foram enveredando para o vislumbre do pensamento real filosófico, o qual permeava por uma postura indagadora do homem para o homem e que primasse pelas questões vitais do ser humano. Uma vez conhecida a filosofia, mais necessária seria para o homem do Ocidente por ser um estatuto da realidade e uma afirmação de vida nos seguintes aspectos:
- O homem estava imerso no mistério e sob necessidade de encontrar respostas ou razões que justificassem sua existência como ser no mundo.
- O fio condutor da vida era visto como cultivar o amor, mas subentendendo-se que este estaria submerso à sabedoria.
- Sob a concepção Platônica, a filosofia era o que mais aproximava o homem do divino, pois quanto mais a alma do filósofo ampliasse sua sabedoria e virtudes, seria mais capaz de contemplar suas idéias com maior perfeição. E, sob a concepção Aristotélica, a contemplação vista como uma atitude essencial do filósofo faria dele capaz de substituir o divino.
- A filosofia atrai assim, o ser humano para sua própria condição radical, como no existencialismo de Sartre:
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“[...] o homem está desamparado porque não encontrava nele próprio nem fora dele nada a que se agarrar. Para começar não encontra desculpas. Com efeito, se a existência precede a essência, nada jamais poderá ser explicado por referencia a uma natureza humana dada e definitiva ; ou seja, não existe determinismo, o homem é livre o homem é liberdade”.
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(apud; Batista 2003)
Não obstante, os filósofos queriam progredir para um olhar mais dinâmico e autêntico, que primasse ainda mais pela postura de interrogativas para o homem, considerando que o reino da natureza é o que abarca a fonte imaginária de todas as coisas. A partir dela, é que o homem se desenvolve e tange por uma realidade de experiências voltadas para si, mesmo.
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...os olhos da filosofia tinham-se voltado para o exterior, em busca de uma explicação razoável do espetáculo mutante da natureza que nos rodeia. Agora [a partir de Sócrates], sua visão dirigia-se para outro campo - a ordem dos objetivos da vida humana - e, no centro desse campo, para a natureza da alma individual. A filosofia pré-socrática começa com a descoberta da natureza; a filosofia socrática começa com a descoberta da natureza; a filosofia socrática começa com a descoberta da alma humana.
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(apud; Batista 2003)
Não há como deixar de reverenciar os primórdios e a valoração da influência cultural da Grécia Antiga, iniciada pelos “Sofistas”, e dando continuidade por outros filósofos que propiciaram a compreensão do pensar, identificar e compreender as influências do pensamento humano como fatores fundamentais para seu desenvolvimento, como a cultura, os valores de época e a “ambientalidade”.
Surge ao final do século passado na Europa, um movimento de estudiosos que queriam conjugar e dar o merecido respeito ao “estudo do entendimento humano” e chamá-la de ciência.
Outras análises de estudiosos sobre as reações humanas buscavam noutros paradigmas propostas em lidar com a questão da psique humana. Surge assim a psicanálise, como ponto de partida o trabalho de Sigmund Freud, fruto das disciplinas de Neurologia e Psiquiatria, propôs uma nova concepção da personalidade e que fez surtir efeitos sobre a cultura Ocidental. Ofereceu uma nova visão sobre a condição humana, atacando violentamente as teorias da época, com um modo complexo de perceber o normal do anormal e obtendo a primeira concepção da “personalidade” ao falar da cura.
O primeiro laboratório de Psicologia, fundada pelo Dr.Wilheln Wundt em 1879, trazendo uma influência advinda do positivismo científico o qual imperava nesta época e prosseguiu por várias décadas. (Wertheimer, apud Rodrigues 2000).
Segundo Polster (1973), Freud não estava disposto a permitir que qualquer outra perspectiva pudesse vir a interferir na originalidade de sua teoria, ou até mesmo, pensar na possibilidade de “ameaça” sobre seu sistema e poder arriscar seu poderio.
Como Freud ficou restrito ao trabalho dos conflitos internos, sem dar a merecida importância de que o indivíduo é “fruto das influências ambientais”, sua perspectiva teórica veio perdendo terreno.
Freud, ao permear sobre o normal e anormal, estava lançando a psicoterapia. Palavra originária do grego therapeúein,a qual nuança entre os significados entre assistir e “cuidar.
Devo conceber que minha compreensão sobre o que o cliente espera de encontrar no psicoterapeuta, é o “acolhimento” e “ser cuidado”. A partir daí, quando menciono a palavra psicoterapia é automática minha “awareness” está “linkado” como num automático, reafirma “a necessidade do ser cuidado”!
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“Muitos antigos e pensadores contemporâneos dos mais profundos nos ensinam que a essência humana não se encontra tanto na inteligência, na liberdade ou na criatividade, da liberdade ou da inteligência. No cuidado se encontra o ethos fundamental do humano.”
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Boff,L.,1997
Portanto, cabe a cada um avaliar sua necessidade para um acompanhamento psicoterapêutico, o quão é necessário pelas situações expostas anteriormente e ainda muitas outras como: a ditadura da estética, isolamento, valorização do status, problemas existenciais, emoções e sentimentos escondidos, reprimidos e que acabam gerando doenças. Insegurança quanto à tomada de decisões, geram ansiedades, angústia, acumula problemas, preocupações, agressões..... Decisões dependem de escolhas e como todas as escolhas, já falado anteriormente, têm seus ganhos mas existem as perdas e as renúncias. As pessoas negativas não enxergam soluções, é sinérgico. Aumentam os problemas, a lamentação, a murmuração, o pessimismo, se transforma em doença e o pior, repele os amigos.
Por outro paradigma, há outros tipos de patologias que mostram outras caras: escondem a realidade, fingem, fazem pose, querem impressionar em mostrar seu equilíbrio, sua perfeição, bondade, desarticulam-se da realidade, imperam as aparências de muito verniz com pouca ou nenhuma raiz.
Ser você mesmo consiste na sapiência de uma vida saudável. Aceitar-se do modo que você está podendo ser no presente, viver o aqui e agora, usando sua sabedoria e faça projetos, cuide não só do externo, use o bom senso. Desvincule-se das crenças de que o impedem de ser feliz, busque seu prazer, não peça opiniões que possam interferir em suas escolhas e nos seus sentimentos e desejos. Faça terapia, encontre-se, seja você mesmo, dê-se o direito de: experimentar, errar e recomeçar, pois a vida é um eterno recomeço!
Há necessidades internas que são doenças típicas do ambiente, são as contaminações da cidade grande. Assim, o restabelecimento da saúde torna-se emergencial para resgatar a funcionalidade e equilíbrio para o conjunto bio-psico-social. É importante que procuremos um caminho de novas construções, que nos forneça condições de reestruturação interna, transformar em prol para atender as suas, nossas necessidades.
Ao procurar um psicoterapeuta, não desista fácil. Se você acha que não houve empatia ou que se não obteve o esperado na entrevista, nas entrevistas, não desista! Vá atrás daquele que você perceba maior afinidade, sintonia, identificação..... Ou quem sabe, os obstáculos possam ser seus, fique atento!
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“Para todos, desejo apenas que usem sua sabedoria pessoal e que amem trabalhar com as pessoas que estão trabalhando, como eu amo trabalhar com as pessoas com quem trabalho. Se forem verdadeiramente gentis e amorosos, então não há com que se preocupar a respeito do que vão dizer, pois as palavras nascerão deste espaço existencial dentro de vocês”.
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Erving, 1999
As intervenções terapêuticas estão fundamentadas na gramática expressiva do “ser terapeuta”: sua expressão é no estar presente, no contato e manter contato com aquela pessoa que já está ou está chegando (o cliente), caminhando junto com ele, da forma que ele hoje está podendo caminhar, seguindo seu passo, dando-lhe o suporte para que experimente diferentes direções, ele saberá quando estará condições para........ seu momento.
O terapeuta deve aprender os métodos, técnicas, porém cuidar para utilizá-las com segurança e conhecimento, ter um olhar abrangente que possa reconhecer o desconhecido. O psicoterapeuta é o seu próprio avaliador e tem condições de perpassar a teoria e suas limitações conceituais.
Enfim, não posso falar de todos colegas, mas falo do meu perfil, como aprendi. Este é o meu jeito “Gestalt-Terapeuta” de ser, de acolher e de me entregar à relação psicoterapêutica.
Enfim, nós Gestalt-Terapeutas pegamos para prática clinica as filosofia de base (humanismo, existencialismo e fenomenologia). Capacita ao ser existencial sustentação em qualificar e transformar a partir do seu próprio constructo, melhores condições para perceber o funcionamento de sua própria personalidade.
“A poeira que está assentada não traz perigo, mas quando algo faz com que ela remexa e saia do lugar, os danos serão grandes, caso não buscarmos um modo de limpá-la, aspirá-la....... caso a opção seja por não limpar por dar muito trabalho, ufa! Fugimos! Mas, devemos considerar que o melhor caminho é pedir ajuda à quem está acostumado nesta função, para extirpá-la antes que nos cause maiores danos. Ao optarmos por escapar do enfrentamento, e nada é feito, quando voltarmos, mesmo que a poeira já esteja assentada, haverá mais pó. E, em algum momento ela será remexida por qualquer outro fator externo, com o passar do tempo, mais e mais poeira estará acumulada...maiores serão os danos.”.
Bibliografia:
BATISTA, R.S. – Deuses e Homens: mito, filosofia e Grécia Antiga – ETCetera editora, 2003.
FADIMAN, J., FRAGER, R. – Teorias da Personalidade. São Paulo –HARBRA, 1986.
FERREIRA, A.B.L. - Novo Dicionário Aurélio. Século XXI . 3ª Edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1999.
D’ACRI, LIMA, ORGLER; G.P.S. – Dicionário de Gestalt-Terapia – “Gestaltês” – São Paulo Summus, 2007
POLSTER, E. POLSTER, M. - Gestalt-terapia integrada. São Paulo: Summus, 2001.
LELOUP, BOFF. L., J - Y. – Terapeutas do deserto: de Fílon de Alexandria e Francisco de Assis a Graf Durckheim. Ed. Vozes, 1997.
RIBEIRO, J.P. – Vade-Mécum de Gestalt-terapia: Conceitos básicos - São Paulo : Summus-2006
RODRIGUES, H.E. – Introdução à Gestalt-Terapia – Conversando sobre os fundamentos da abordagem Gestáltica. Ed. Vozes, 2000.
__________________. Super Interessante – Terapia Funciona? – Por Denize Guedes- Ed. Abril – JUL/2008
RJ/out/2008
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