Artigos

“SANGUESSUGAS  DA  EMOÇÃO"
Por Maria Laura Ramalho Vasquez

      Ao ler o livro “Vampiros Emocionais” de Bernstein (2001), senti- me inspirada para escrever sobre estes “seres”, hoje muito comum encontrá-los. E, mesmo sem ter permissão, vão entrando até se alojarem por completo em nossa vida.
Não há nada de sobrenatural nestes “vampiros”. Este termo é apenas mais uma metáfora melodramática, usado para designar pessoas que se comportam como verdadeiras criaturas das trevas.
      Entretanto, achei mais interessante substituir a palavra “vampiro”, por achar que este termo tem uma conotação que paira mais pelo imaginário, irreal ou fantasia.
      Como designa Ferreira (1999) é,

 

“Entidade lendária que, segundo superstição popular, sai das sepulturas, à noite, para sugar o sangue dos vivos. Aquele que enriquece à custa alheia e/ou por meios ilícitos. Aquele que explora os pobres em benefício próprio. Designação do morcego hematófago......”

      Embora tenha pensado também em utilizar o termo “morcego”, mas achei que estes “bichinhos” não são merecedores de ser comparados a estas pessoas. Pois, de alguma forma, eles devem ser úteis para o equilíbrio do meio ambiente.
      Portanto, considerando os “achismos”, o termo mais conveniente a meu ver é o de “sanguessuga”, por tratar-se de um verme!
      Ferreira (1999) designa para sanguessuga,

 

Verme do filo dos anelídeos, da classe dos hirudíneos, que habita as águas doces e tem ventosas com que se liga aos animais a fim de sugar-lhes o sangue. Pessoa que explora outra pedindo-lhe dinheiro, chupa-sangue...

      Os sanguessugas têm um olhar de mundo bem diferente das outras pessoas, com percepções distorcidas, anseiam por metas inatingíveis. Estão sempre à espera de atenção total e exclusiva de todos. Esperam um amor que se dê por inteiro, mas que nunca queiram ou exijam nada em troca. Estes “seres” são imaturos e irresponsáveis. O entusiasmo é efêmero, restringe-se a anseios por divertimentos, supérfluos e fantasias. Desejam ter alguém que cuide de tudo o que seja chato ou difícil (as responsabilidades) fogem do trabalho e das pessoas que lhe cobram atitudes ou que lhe exigiam comprometimentos.

Quem são esses sanguessugas?

        Eles estão em todo lugar, os encontramos nas ruas, em plena luz do sol, sob a luz dos escritórios e talvez possam até estar sob a mesma luz acolhedora do lar, podem fazer parte da nossa própria família. disfarçados de gente comum, até que suas necessidades internas os transformem em feras predadoras. Na verdade, estão de tocaia e sempre atentos de maneira que quando menos esperamos, possam dar o bote e sugar-nos tudo.
        Para que o leitor possa ter idéia, podemos citar, por exemplo, aquela tia com problemas esquisitos e debilitados, a qual exige que cuidemos dela. Ou também, aqueles parentes tão carinhosos..... e irritantes, que estão sempre pedindo que você faça o que eles desejam.
        Estas criaturas nos atraem e depois sugam nosso sangue, e toda nossa energia emocional, tem o dom de nos hipnotizar, de nos anestesiar a consciência com falsas promessas, até sucumbirmos ao seu encanto. Eles parecem melhores que as pessoas comuns, são inteligentes, talentosos e encantadores. Seduzem-nos de tal maneira, que confiamos mais neles do que em qualquer outra pessoa. Passamos a ver somente eles em nossa vida.
        Esperamos mais, e recebemos muito menos, e ao final das contas saímos derrotados!
        Geralmente não os convidamos a entrar em nossa vida, ou melhor, entram sem serem convidados.
        Só percebemos o erro, quando eles desaparecem pela noite deixando-nos com algum tipo de dor, principalmente de cabeça e com a carteira vazia e com o coração partido.
O sanguessuga pode compartilhar nossa cama, ora como um parceiro amoroso, ora como um estranho frio e distante.
        Para nós Psicólogos, estes tipos de sanguessugas podem ser pessoas que possuem distúrbios de personalidade, que segundo o diagnóstico do Manual de Psiquiatria da American Psychiatric Association, distúrbio de personalidade é:

um padrão duradouro de vivência e comportamento interno que se desvia nitidamente da cultura do indivíduo”.

        O padrão pode se manifestar de duas ou mais formas, como:

  1. Maneiras de perceber e interpretar a si mesmo, outras pessoas e fatos.
  2. Extensão, intensidade, instabilidade e adequação de resposta emocional.
  3. Desempenho interpessoal.
  4. Controle de impulsos.

        Mas, é bom sempre estarmos atentos, pois nem sempre estes sanguessugas possuem distúrbios tão graves a ponto de receber o diagnóstico oficial de distúrbio da personalidade. Porém, o modo que pensam e agem correspondem aos padrões descritos no manual do diagnóstico, se não forem consideradas as conseqüências causadas aquém estiver ao lado deles. Podem variar, desde graves hospitalizações até as mais diversas tensões.
        Além de sanguessugas, são verdadeiros camaleões. Segundo (Ferreira 1999) camaleão é,

 

“o Indivíduo que assume o caráter conveniente aos seus interesses”.

O que é o amor?

        Definir o amor é uma tarefa difícil. Antigamente, falar sobre ele se restringia mais aos escritores, poetas e filósofos, mais do que aos psicólogos. E, foram poucos os sexólogos que se dedicaram profundamente a este tema. Entretanto, todos nós sentimos de uma forma ou de outra, o amor. Muitos de nós sonhamos com ele, lutamos por ele, para que possamos nos aquecer em seus prazeres radiantes.
        Nós podemos amar o cônjuge, namorado, filhos, os irmãos, animais de estimação, país ou Deus, sorvete e por aí uma infinidade de coisas. Embora, utilizemos essa única palavra para aplicar a cada uma dessas situações, está claro que se trata de significados diversos.
Quando falamos do amor entre as pessoas a definição mais simples foi a de Robert Heilein, no livro  “Estranho numa terra estranha”   que  é,   

 “Amor é aquela condição em que a felicidade de outra pessoa é essencial para nossa própria”.

        Em qualquer tipo de amor, é essencial o aspecto do bem estar da pessoa amada. A não ser que esta preocupação genuína esteja presente e o que parece amor, pode ser apenas uma forma de desejo. Ex.: Um adolescente que diz a namorada que a ama, pode ser para convencê-la a ter relações sexuais com ele. Em outros casos, o desejo de obter riqueza, posição social ou poder, pode levar uma pessoa a fingir amar alguém a fim de atingir estes objetivos. São esses os quais chamamos e descrevemos anteriormente de SANGUESSUGAS DO AMOR.
        Uma vez que, tanto o desejo sexual como o amor, podem ser apaixonados e absorventes, pode ser difícil definir em termos de intensidade. A característica principal se encontra por trás do sentimento. Geralmente o desejo sexual tem um foco que facilmente é descarregado, enquanto que o amor é uma emoção mais complexa e mais constante.  No desejo sexual puro e inadulterado, são mínimos os elementos de respeito e preocupação com o bem estar, que talvez venham a estar presentes como uma reflexão posterior, mas não como uma parte central do sentimento. O desejo de conhecer a outra pessoa é definido somente de modo físico ou sensual, mas não espiritual.  Essa meta é fácil de atingir. Embora o amor possa incluir uma ânsia passional pela união do sexo, o respeito pela pessoa amada é uma preocupação primordial. Sem respeito e sem preocupação pela outra pessoa, nossa atração por ela só pode ser uma imitação do amor. Quando existe amor, há o respeito, nos permite que valorizemos a identidade e a integridade da pessoa e assim nos impede de explorá-las egoisticamente.
        A importância dessa preocupação e do respeito estava no centro do pensamento de Erich Fromm, em sua obra “A arte de amar” (1956), que influenciou todos os estudos subseqüentes desse assunto. Ele acreditava que as pessoas só podem atingir um tipo de amor significativo se primeiro atingirem um estado de auto-realização. Ou seja, primeiro têm que estar seguros da sua própria identidade. Fromm então, definiu o amor como:

“união sob a condição de preservar sua própria identidade e individualidade”.

        Ao falar em respeito inerente em todo o amor, Fromm sugeriu que o amante deve sentir que “eu desejo que a pessoa amada cresça e se desenvolva para seu próprio bem, e por seus próprios meios e não com o objetivo de servir a mim”.
        Os autores Peele e Brodsky, do livro Love and Addiction, têm um ponto de vista interessante sobre o que acontece quando o respeito e a preocupação com o bem estar, um do outro, estão ausentes numa relação do amor. Acreditam que alguns relacionamentos desse tipo preenchem as mesmas necessidades que podem levar as pessoas ao alcoolismo ou ao abuso de drogas, para ele “O amor” resulta na verdade, como uma verdadeira relação de dependência:

        “Quando uma pessoa se dirige a uma outra com o fim  de preencher um vazio em si mesma, a relação logo se torna o centro de sua vida. Oferece a ela um conforto que contrasta tão nitidamente com tudo o mais que encontra, que ela volta cada vez mais para ele, até que precisa dele para atravessar cada dia de uma existência que, de outro modo, seria tensa e desagradável. Quando é necessária a exposição constante a alguma coisa para tornar a vida suportável, foi estabelecido um vício, não importa quão romântica a sua roupagem. O perigo sempre presente da retirada do objeto cria o anseio onipresente”. (Peele e Brodsky)

        “Do ponto de vista prático, muitas vezes se torna difícil traçar uma linha entre amar e gostar. Embora vários pesquisadores tenham tentado medir o amor, concordamos com a observação de que  “A única diferença real entre gostar e amar é a profundidade de nossos sentimentos e o grau de envolvimento com a outra pessoa” ( Walster e Walster).”

Para o topo da página
Home Início Autoria Serviço Artigos Laços Convênios Projetos Atuais Notícias Eventos Contato AlternativoBrasil e-studio